Fotos da Noite VooDoo com a banda VITÓRIA RÉGIA

Tivemos outra Noite VooDoo histórica no último dia 18, no Opinião. A banda VITÓRIA RÉGIA, base de Tim Maia desde meados dos anos 70 até 98, com sua morte, apresentou um set repleto dos grandes sucessos do síndico e empolgou o público. Confere as fotos da Isadora Lescano e do Rafael Cony no álbum do nosso Flickr.

Compondo uma verdadeira big band, os músicos foram se substituindo ao longo dos anos, e nem todos eram integrantes do grupo original da época de Tim. Mas a mistura ideal da pegada do soul à ginga da música brasileira era aquela velha conhecida das últimas décadas, emocionando todos ali presentes.

Encorpando os ingredientes da noite, Gê Powers formou a discotecagem com Oster, nas comemorações dos seus 40 anos de black music. Doses fortes de emoção e honra pra VooDoo na mesma noite.

 

E é daquele jeito, agradecemos a sintonia, a parceria incondicional dos que acompanham as produções da VooDoo. Ficamos extremamente felizes com aquela alegria radiante, demonstrada nos sorrisos e nas conversas. E assim, com a ajuda e a colaboração de todos, seguimos o barco, pois tem muito mais pela frente.

O ano ainda não acabou. Tem o último ritual de 2011, dia 11/12.

E uma noite de Natal realmente especial vem por aí. Damos a dica: fiquem em Porto Alegre! Pra todos que foram bons meninos esse ano… vai ser o momento de ir à desforra numa noite verdadeiramente quente e safada.

Aguardemmm!

 

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“Alô, Vitória Régia!”

Foi em 1976, após regressar do Universo em Desencanto desiludido, que Tim Maia rebatizou a famosa Seroma, sua banda base havia anos. Foi por sugestão de Paulinho Braga, seu baterista, grande admirador da banda 103rd Street, o nome Vitória Régia. Era a rua da sede dos ensaios e encontros. O curioso é saber que o nome Seroma – usado para a banda e para a sede – surgira de uma abreviação do seu nome de batismo, Sebastião Rodrigues Maia. E mais ainda perceber que Seroma invertido vira “Amores”… Enfim, folclore é o que não falta na história de Tim Maia.

Era um momento de mudanças profundas. De retornos, também. Tim, que havia largado todos os vícios em sua “época Racional”, e pregado a favor desses dogmas, irritou-se, desencantado (com o perdão do trocadilho) com o que aprendera na seita, e mandou tudo às favas. Acusou seu então mestre Manoel Jacintho de ser ladrão, pilantra e tarado, voltou a beber, fumar seus “bauretes”, comer carne sangrenta, queimou suas roupas brancas… Entregava-se novamente aos vícios e à vida profana. Pra sua felicidade, diga-se; e também pra alegria dos integrantes de sua banda (à época chamada até de Seroma Racional, tal a neurose de Tim), cheios daquela caretice toda por tanto tempo.

O momento era crítico, a bem da verdade. Um recomeço, sem dinheiro, sem discos, sem shows… Uma nova vida. Mas oportunidades foram surgindo, as composições e os discos também. Nessa nova fase, da Banda Vitória Régia, novos músicos aderiram à banda, outros passaram a frequentar o círculo, e o grupo foi se encorpando. O conjunto tomou ares de orquestra, contando com dois baixistas, três guitarristas, backing vocals, mais sopros… E assim Tim podia se exercitar na arte da provocação criativa, criando uma competição sadia no grupo. Debochava ao dizer, durante um show, que um baixista ou guitarrista estava tocando melhor que outro. Criticava ironicamente os negros ao dizer que “Tocando assim tu nunca vai comer uma loura”. Nesse seu método, e com sua conhecida exigência para com os músicos que o acompanhavam, a banda foi crescendo em excelência. Parava ensaios e passava a orquestrá-lo, pedindo acordes, solfejos, reclamando, pedindo de novo… Sua persistência pela qualidade de quem o acompanhava era notória, além de sua ironia. Tanto que algumas frases tornaram-se clássicos, como a “mais grave, mais agudo, mais eco, mais retorno, mais tudo!”, esta direcionada aos técnicos de som, além de inúmeras pérolas e declarações polêmicas em entrevistas.

Dessa formação, desse modelo de maestria no comando do conjunto, surgiram clássicos da música brasileira como “Sossego” (Disco Club, 1978); outras não tão populares, porém portadoras de grooves e melodias impressionantes, como “Márcio Leonardo e Telmo” (1976). Essa música, por exemplo, traz mais uma história inusitada: ela surgiu de uma visita de seus filhos Márcio Leonardo (seu enteado) e Telmo à Seroma. Uma das tantas compostas nos ensaios, com a banda. O engraçado é que Telmo era assim chamado apesar de ter sido batizado Carmelo, numa crise de dúvidas de Tim no momento do registro, ainda durante o período Racional.

Após muitas influências do soul, a onda disco do final dos anos 70 também foi incorporada à musicalidade do grupo. Tim não a renegava, e até defendia. Nessa pegada, com batida vibrante e extremamente dançante, surgiu um dos discos de maior sucesso, o Disco Club, de 1978.

 

Bom, paremos por aqui, pois histórias (musicais ou não) de Tim e sua banda são praticamente infinitas. Foram 22 anos dali em diante, colecionando momentos célebres, clássicos, lendas, também problemas, crises, excessos, processos… até a triste noite de 15 de março de 1998, quando Tim calou.


Hoje a Vitória Régia está em Porto Alegre pra Noite VooDoo no Opinião, e é imperativo participarmos de mais este capítulo. Pra VooDoo, pra Capital, e também pra banda que acompanhou Tim Maia por 22 anos, levando consigo essa história. Lendas vivas de grandes períodos do “síndico” estarão ali, contando e cantando um pouquinho disso tudo pra gente!

 

Acessa o site da banda: http://www.bandavitoriaregia.com.br/.

Aproveitando, fica aqui uma dica valiosa: “Leia… o livro… ‘Vale Tudo: o som e a fúria de Tim Maia’, de Nelson Motta. And you gonna know the truth!” 😉

Ave Tim Maia! Sua Vitória continua Régia!

 

[18/11, sexta] Noite VooDoo com a banda VITÓRIA RÉGIA

Como apresentar a banda que segurou a base de balanços clássicos como O Descobridor dos Sete Mares, Sossego e Primavera?

Como apresentar uma banda que acompanhou o grande Síndico Sebastião Maia por cerca de 22 anos?

O que falar destes músicos depois que todas as histórias e lendas da música popular brasileira contam do quanto mestre Tim era exigente e impiedoso com quem o acompanhava em gravações e ao vivo?

A próxima Noite VooDoo no Opinião vai ser muito mais do que histórica, muito mais do que especial: vai ser antológica!!

Com uma alegria que não se pode medir, anunciamos a Banda Vitória Régia: big band de feeling e swing singular que marcou a MPB tanto quanto seu líder, e que vem a Porto Alegre para mostrar a excelência máxima na mistura de soul music e ritmos brasileiros, e também para dizer que o show não parou naquele 15 de março de 1998, quando muitos corações pararam por um breve instante.

A Vitória continua Régia e Tim continua Rei!

O groove continua o caminho, o sorriso e a alegria a mais bela forma de comunicação! Selando esta bela noite, participações surpreendentes e a discotecagem de nosso mestre e professor Gê Powers, um dos principais precursores da cena de música black no sul, com 40 anos de black music recém comemorados. Juliano Oster, residente, segue fazendo as honras da casa na chave do som!!

Venham conosco para mais uma noite de som e swing!!

 

SERVIÇO

Noite VooDoo com a banda VITÓRIA RÉGIA

Discotecagem
Oster e o convidado especial Gê Powers, comemorando 40 anos de black music

Data
18/11, sexta-feira

Horário
23h

Local
Opinião, Rua José do Patrocínio, 834 – Cidade Baixa

Ingressos
1º lote: $30
2º lote: $35
na hora: $40

Pontos de venda
Lancheria do Parque (Osvaldo Aranha, 1086 – Bom Fim)
DonutsShop (Lopo Gonçalves, 108 – Cidade Baixa)
Lojas Trópico (Shoppings Iguatemi, Praia de Belas, Total, Moinhos, BarraShoppingSul, Bourbon Ipiranga, Canoas Shopping e Bourbon São Leopoldo)


Apoios
BD Divulgação
Catraca Filmes
DonutsShop
Núcleo Urbanóide
PressXpress
Cozinha de Afrodite
Tesch Transportes
W Station

Promoção
IpanemaFM

Realização
VooDoo

 

A arte é do Felipe Guimarães.