[17/11, sábado] VooDoo Blaxploitation na Casa de Teatro

Formando um subgênero do cinema setentista norte-americano, os filmes conhecidos como Blaxploitation deixaram um legado tão interessante quanto polêmico.

Escancarando os problemas e as polêmicas de um país marcado por chagas sociais e raciais ou explorando os estereótipos de uma negritude urbana e marginal em tramas normalmente tragicômicas ou heróicas, eles deixaram tanto uma inestimável contribuição cinematográfica quanto geraram inúmeras discussões de ordem política.

Deixaram também, e talvez isso seja o que mais interesse no momento, um legado musical invejável.

As trilhas sonoras eram usualmente feitas por grandes nomes do soul e do funk setentista, e muitos dos clássicos hoje reconhecidos internacionalmente surgiram justamente para dar conta deste casamento possível entre imagem e som. Marvin Gaye, Curtis Mayfield, Isaac Hayes, Roy Ayers e o próprio James Brown, The Godfather of Soul, emprestaram seu talento e musicalidade para estas trilhas. Algumas das estrelas da música de então não somente fizeram as trilhas como também atuaram como protagonistas ou figurantes em vários filmes.

A próxima VooDoo homenageia o gênero e suas trilhas principais, e bem a caráter. Na Casa de Teatro, na sua primeira edição à fantasia, com projeção dos principais filmes do gênero no telão, prêmios para as melhores fantasias, duas pistas e dois convidados, vamos fundo na estética de então.

Bora brincar com a gente?


SERVIÇO

VooDoo Blaxploitation na Casa de Teatro
Oster (Osterzilla)
& Dr. Caiaffo (Black Dynaiaffo)
Convidados: DJ Mause “Que Momento” Muzzi & Geraldo Oliveira (Black Penetration)
Quando: 17/11, sábado, 21h
Local: Casa de Teatro (Rua Garibaldi, 853 – Independência)
Aceitam Visa, Master, Dinners e AmEx de crédito e débito.
Quanto: $20 antecipado | $30 na hora
Pontos de venda:
DonutsShop (Lopo, 108 – Cidade Baixa – 3086.0225/10h30 às 19h30)
Pandorga (Miguel Tostes, 897 – Rio Branco – 3086.0746/10h às 20h)
Beatnik (Shopping Total, lj 2186, 2° piso – 3018.7686/10h às 22h)
Pinacoteca (República, 409 – Cidade Baixa – 3211.5762/17h à 1h)
Casa de Teatro (Garibaldi, 853 – Independência – 3029.9292/seg. a sex. 9h30 às 22h – sáb. 9h30 às 19h)

Essa edição tem também o apoio do Thippos Leo Zamper e da Nossa Senhora do Figurino.

A arte dessa edição foi obra de Geraldo Oliveira e Matheus Mendes.

 

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[Domingo 12/09] Ritual VooDoo#07

Nosso convidado de julho passado, DJ Anderson, chegou na VooDoo com um baita presente: não bastasse seu próprio set, que dispensa apresentações, trouxe ninguém menos que o professor Mause. Eles vieram direto da Confraria do Charme pra seguir fazendo um bom domingo, curtindo um som e a amizade com a gente. Mause chegou com os discos, tranquilo e sorridente, trocamos uma idéia, demos algumas risadas e, quando ele foi parar atrás dos toca-discos, simplesmente botou fogo na festa. O cara é mestre! Também, pudera: são 24 anos de discotecagem nas costas e uma estrada que passou por Grupo Jara, Equipe Mundial, Time’s Brothers e Gê Powers. Hoje ele é Top DJ da cena house music, mas suas origens, como as próprias origens da house music, são o soul e a disco.

Em setembro, seguindo na série de homenagens que estamos conseguindo fazer aos mestres da nossa escola, a VooDoo é dele. Mause prometeu baixar e botar pra rodar toda a vinileira da época. Desta vez, bonecada, vai ser pra derreter os toca-discos: Shalamar, Con Funk Shun, Bar Kays, Midnight Star, Lakeside, e vai por aí.

Puro groove.

Não dá pra perder.

Chega junto!


SERVIÇO

Ritual VooDoo #07 com os residentes Rafa Rubim, J.Oster & Dr. Caiaffo

Convidado: DJ Mause
Quando: 12/09, domingo, 21h
Onde: Cabaret!, Independência, 590
Quanto: R$10; R$8 até 23h com nome na lista
: : Dose dupla de Polar até 23h : :

PROMOÇÃO

Pra concorrer a convites pro nosso ritual basta seguir a Festa VooDoo no Twitter (@festavoodoo) e postar o seguinte texto: “A @festavoodoo #07 rola no domingo, 12/09, às 21h, no @cabaret_! http://www.festavoodoo.wordpress.com”


Video institucional no Youtube:

http://www.youtube.com/festavoodoo

A arte de setembro é assinada pelo Guilherme Caon.

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Blaxploitation: submundo, exploração e música negra no cinema dos anos 70

No começo dos anos 70, o cinema americano vê surgir um novo gênero de filmes que vai marcar toda a década. Voltado para as audiências negras, o Blaxploitation – mistura com sotaque das palavras “black” e “exploitation” – explorava problemas dos guetos negros norte-americanos, e normalmente apresentava nas telas histórias com uma atmosfera de criminalidade ou opressão: seus personagens, em grande maioria encenados por atores negros, eram prioritariamente bandidos, criminosos, traficantes e trabalhadores baixos e segregados. Aos brancos restavam os papéis de policiais corruptos, prostitutas, políticos sem escrúpulos e criminosos inocentes, fáceis de enganar. O gênero sobreviveu até finais dos anos 70, quando associações de luta por direitos e contra a discriminação da população negra, como a National Association for the Advancement of Colored People e a Southern Christian Leadership Conference (de Martin Luther King), assim como a National Urban League, formaram uma coalizão contra o gênero: segundo as associações, contribuía na produção da estereotipia acerca dos negros. Nos anos 90, diretores como Spike Lee atualizaram o gênero levando em consideração esta questão da estereotipia, e falaram de forma mais contundente dos conflitos vividos pelos negros norte-americanos em contexto urbano; Quentin Tarantino prestou sua homenagem com “Jackie Brown”.

Debates políticos deixados de lado, pelo menos por enquanto, interessa dizer que o Blaxploitation deixou um legado que vai além das telas do cinema, e ele está nas trilhas sonoras. Marcadas pelo soul, pelo funk e pelo jazz, mas atingindo complexidades até então não produzidas para as músicas de rádio ou de pista, estas trilhas sonoras são documentos importantes e chegam a constituir um dos gêneros mais sofisticados de música negra dos anos 70. Muitas tinham não só os instrumentos clássicos dos combos soul, funk ou jazz: chegavam a ser orquestradas com novos naipes de sopros, algumas contavam inclusive com pequenas orquestras de cordas. Diversos artistas de renome imprimiram suas assinaturas nestas trilhas, entre eles James Brown, Curtis Mayfield, Bobby Womack e Isaac Hayes.

Dr. Caiaffo, residente da VooDoo e apaixonado por estas trilhas sonoras, indica especialmente três para os leitores do nosso blog: (1) considerada por muitos a melhor de todas, a trilha sonora que Curtis Mayfield fez para o filme “Superfly” é uma verdadeira obra de arte do swing; (2) composta pelo grande pai da soul music, James Brown, a trilha sonora de “Black Caesar” é outro excelente documento do gênero; (3) mais obscura mas excelente, também procure a trilha sonora que Willie Hutch compôs para o filme “Foxy Brown”.

Encontre mais informações sobre o gênero Blaxploitation e suas trilhas sonoras no excelente site www.blaxploitation.com. Além disso, venha dançar ao som destes grooves sofisticados na pista da VooDoo.

Bom proveito!

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