Mais uma lenda que nos deixa…

A semana começou com uma notícia muito triste. No último domingo, dia primeiro, faleceu no Rio de Janeiro um dos maiores nomes da black music brasileira. Oseas dos Santos, o famoso Mr. Funky Santos, foi discotecar nas pistas de outro plano, provavelmente nas mesmas onde agora dança o saudoso PC Capoeira. Ele tinha 61 anos e lutava contra um câncer no estômago.

Funky Santos é considerado o primeiro DJ de black music no Brasil. Começou comandando festas no Astória Futebol Clube, no Catumbi, capital carioca. Mais tarde levou seus bailes ao Renascença, no Andaraí, berço da cultura black carioca. Foi também um dos primeiros a ter programa em rádio. Até os anos 80, lançou coletâneas de grandes funks que tocava em seus bailes, discos até hoje bastante procurados. Santos se afastou das festas após seu filho ser assassinado na porta de um baile funk, no Rio.

De nossa lembrança fica uma dessas poucas oportunidades, no inesquecível Ritual VooDoo de aniversário de um ano (veja fotos no Flickr), em março do ano passado, quando levou todos ao delírio no Cabaret, em comemoração lindíssima. Negão enorme, figura simpaticíssima, de bata branca, ganhou todos com seu carisma impressionante. Chegou nas pickups como quem não sabia nem usá-las – pedindo auxílio – pra logo depois quebrar tudo no som.

Vá em paz, irmão. E, simplesmente, obrigado por originar tudo isso que aí está.

 

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Obrigado por tudo, Pica das Galáxias

A Família VooDoo acordou nesse último sábado estupefata com uma notícia inaceitavelmente triste: faleceu um grande amigo, irmão, professor, mestre… uma lenda. PC Capoeira, a “Lenda que Dança”, parou de dançar neste plano e nos deixou, certamente indo ensinar passinhos nas pistas do céu.

Ainda não conseguimos entender. Se há algo a ser dito nessas horas, não sabemos. O que queremos – e devemos – é deixar nosso registro, a lembrança de um homem que marcou nossas vidas rapidamente, e cuja história aqui em Porto Alegre se confunde com a própria história da VooDoo, a qual ele ajudou a construir desde o início.

Antes da estreia da festa o Rafa fora a uma Soul, Baby, Soul! na Casa Rosa, no Rio, e se encantara com aquele negão regendo a pista de dança com suas fantasias e seu sorriso fácil, levando à pauta com Oster e Caiaffo. Sir Dema, grande parceiro e referência da soul music carioca, viabilizou a primeira vinda do mestre. Recomendações como “cuida do nosso menino de ouro, ele é único” nos fizeram ter a certeza de tratar-se de alguém especial. Em maio de 2010, na terceira edição da festa, íamos recebê-lo no Salgado Filho pela primeira vez. Lá o esperávamos e, pra nossa surpresa, ao avistarmos aquele sujeito alto e com roupas espalhafatosas, antes de qualquer reação ele nos olhou e, mesmo sem nos conhecer, veio falando, sorridente: “Família!”. Aquilo marcou. Assim começava uma linda trajetória que viria a fazer história nas pistas de dança de Porto Alegre. E em nossos corações.

 

Nessa primeira experiência, numa festa pra aproximadamente 30 pessoas, impressionou geral ao montar coreografias com quem nunca tinha visto, fazendo todos dançarem sincronizadamente, alternando filas e passos, deixando-nos arrepiados e boquiabertos, sem entender como conseguia aquilo… e extremamente felizes com algo tão bonito e divertido, no sentido mais puro da palavra. Taí… pureza. Mais simplicidade, humildade, gentileza… Talvez esses os predicados que o levaram a conquistar rapidamente todos que o conheciam por essas bandas. Desde então desfilou inúmeras fantasias divertidíssimas, tirando sarro de si mesmo, alegrando todo mundo. Um showman. E os sorrisos francos e brilhantes se proliferavam. E toda vinda sua era especial como um novo encontro, feliz como matar a saudade de um grande amigo. De um irmão. Ou de um pai.

Era o carisma em pessoa. Era o embaixador do soul. Deu oficinas de dança, multiplicando e cultivando amizades e admiradores. Quando a bonecada postava-se pelos cantos, avergonhada, ele ia lá pegar pela mão e levar pra pista. Chamava pro meio da roda, pra diversão. Todos, sem exceção. Ensinava a não ter medo, a dançar de qualquer maneira. A dançar e ser feliz. Carlinhos, praticamente um afilhado, virou Carlinhos Gentileza, ou só “Gentileza”, botando em prática a máxima de sua camiseta. Nessa, praticamente filha, ouviu as melhores palavras de incentivo e lições sobre as dificuldades da vida, e enfrentou com coragem uma lesão no quadril – sem poder dançar com o mestre – “pois tudo daria certo no final”. Jackson também integrou seu grupo de seguidores e parceiros na arte de botar fogo na pista. Roberta, Thiago, Mariana, Aline… Rubim, Oster, Caiaffo… Também levou pra pista Gê Powers, DJ Anderson, Kafu… Tonho Crocco, Trampo, Cikuta… Todo mundo, de todo tipo, de todas as cores, credos, preferências diversas, atividades distintas… em comum, todos admiradores incondicionais.

Jeremy, um dos patrões do Cabaret, chegou no meio duma VooDoo e falou, diante da massa regida pela “Lenda que Dança”: “Na casa temos festas lotadas sexta, sábado… seja qualquer dia, em nenhuma vejo as pessoas felizes como aqui”.

Na primeira VooDoo no Ocidente, diante da incredulidade do chefe da casa, Fiapo, que via toda a pista dançando sincronizadamente, PC participou do seguinte diálogo:

Fiapo: Que tá acontecendo lá embaixo?
PC: Ué, rapaziada tá dando umas pernadas…
Fiapo: Mas como?… Tu que tá fazendo isso?
PC: Eu não, eu tô aqui… Mas já já eu tô lá!
Fiapo: …
PC: Tááá ligaaado!!!

Assim, com seu jeito simples, conquistou Porto Alegre. Já conquistara o Rio, Minas… A China! Do mesmo jeito, carinhoso, conquistou uma ilha. A Ilha da Magia. Em janeiro Floripa se rendeu aos seus passos, na belíssima festa WhataFunk. Saiu de lá com mais uma filha, a Drika. E assim conquistaria quantos territórios lhe fossem apresentados. Assim conquistaria tantos filhos, afilhados, seguidores, irmãos, admiradores quantos estivessem pela frente. Assim sua família ia crescendo. E assim seu carinho, seus valores, iam se multiplicando.

 

 

Nos momentos de descanso (como assim descansar na companhia do PC?) queria ensaiar “aquele passinho que faltou” ou nos tirar do aconchego após uma refeição pra fazer uma coreografia. Dormia no chão; dizia que “dormir no colchão dava dor nas costas”. E não era brincadeira: botávamos colchão, ofertávamos cama, e ele dormia ao lado do colchão ou da cama… no chão. Mas também… dormia uma hora, uma hora e meia… e levantava pronto pra dançar.

Na churrascaria parecia uma criança em festa. Após comer picanha e costela, devorava, maravilhado, uma nova iguaria que descobriu com a gente: salsichão. Degustava sobremesas, melancias, frutas diversas… e voltava a comer aquele embutido saborosíssimo! Saboroso também era o pão com mortadela.

Talento incrível. Simpatia em pessoa. Ria de qualquer bobagem. Te dava conselhos de paizão. Contava histórias. Falava das dificuldades que teve na vida. E seguia no caminho do bem, distribuindo bondade. E ensinava, puxava pelo bracinho, e fazia de novo, e dava lições; e fazia tudo com o coração. Era quem tocava o zaraio nas pistas! Era o cara do “tááá ligaaado”! Era o PICA DAS GALÁXIAS!

Dá uma olhada na belíssima homenagem do Cultne ao mestre:

A vida colocou muitas barreiras em seu caminho. Combateu e venceu várias. Outras foram difíceis de enfrentar. Mas quando o soul tocava na pista da VooDoo, a alegria contagiava e prevaleciam a dança, o sorriso, a música. Se sentia em casa. Em família. Sua última passagem por Porto Alegre foi maravilhosa como sempre, iluminando a festa que fez história na Capital Gaúcha – a 2ª VooDoo nos Trilhos – e o show do BNegão & Seletores de Frequência, e os corações de todos que o cercavam.

 

As pistas das festas das quais participava nunca mais serão as mesmas. Mas seus passos continuarão dançando sincronizados sempre que a música soul ecoar nos alto-falantes. A nós cabe continuar acompanhando, mostrar o que aprendemos, seguindo no caminho do bem. E sua alma estará com a gente. Pois “A Lenda” continuará dançando. E não vai parar nunca.

Obrigado por tudo, mestre. Fique em paz.

Soul, música da alma, para dançar com a alma.”
R.I.P. PC Capoeira (16/02/1959 – 31/03/2012)

Morre o criador do programa Soul Train

E o time dos mortos vai ficando cada vez mais rico.

Foi encontrado morto, na última quarta-feira, em sua residência, Don Cornelius, o criador do clássico programa musical Soul Train. Aos 75 anos, o produtor, roteirista e apresentador foi baleado em circunstâncias ainda investigadas.

O Soul Train era gravado em Chicago, e foi ao ar de 1971 a 2006. Sucesso absoluto, abria espaço a dançarinos e músicos, difundindo a soul music de forma mundial. Pelo palco do programa foram lançados grandes nomes da soul music, onde estiveram, entre outros, Sly & The Family Stone e, nada mais, nada menos, The Hardest Working Man in Show Business, James Brown. Em determinados momentos, dezenas de dançarinos postavam-se em duas fileiras, voltados ao meio, alternando-se, individualmente ou em grupos, a dançar pelo corredor formado. Cada um dançava à sua maneira, de forma totalmente livre, de modo inovador para os padrões de então. Era o famoso Soul Train Line, ou, como chamado por aqui, o “Corredor Soul Train”, ficando famoso sob diversas músicas, sendo muito praticado e adorado pelos fiéis frequentadores da VooDoo, uma introdução do mestre e maior dançarino de soul do Brasil, PC Capoeira.

Alguns artistas ligados à música black se pronunciaram lamentando a perda de Cornelius, como Quincy Jones, dizendo-se “profundamente triste” e afirmando que “Antes da MTV existiu o ‘Soul Train’, que será o maior legado de Don Cornelius. Suas contribuições para a televisão, a música e a nossa cultura jamais serão igualadas.”

Num acaso do destino (para o nosso âmbito local), sua morte ocorreu no dia do último Bonde VooDoo no Ocidente. Obviamente, em moldes de homenagem, o Soul Train esteve presente não só na pista, mas no telão, exibindo alguns videos do histórico programa.

Confere aqui uma demonstração, e navega no site http://soultrain.com/ pra saber mais um pouco dessa história.

 

[1º FELA DAY RS] Fela Kuti, o afrobeat e sua influência no século XXI

Nesta sexta-feira, 21 de outubro, no Bar Opinião, ocorre o 1º FELA DAY RS na Noite VooDoo com show da ABAYOMY AFROBEAT ORQUESTRA. Pela primeira vez Porto Alegre celebra o evento mundial de homenagem a vida e obra de Fela Kuti, músico e ativista político nigeriano, criador do afrobeat, morto em 1997. Confere o video feito pela Catraca Filmes pra divulgação dessa noite histórica.

Fela Kuti usou sua música como arma pra combater os abusos de poder da ditadura nigeriana. Suas letras provocativas, cuspidas com gana, e seu som vibrante e totalmente envolvente se proliferaram e, podemos dizer, viajaram no espaço e no tempo. Hoje, no século XXI, o afrobeat está mais vivo do que nunca, a exemplo do próprio Fela.

Fela

A cada ano, mais e mais lugares celebram o FELA DAY, data criada pra relembrar seu aniversário, em 15 de outubro. Assim o afrobeat vai se espalhando pelo mundo e influenciando cultura e produção musical. Ilustrando isso, reunimos duas matérias veiculadas recentemente: uma exaltando Fela Kuti e sua data; outra falando sobre o afrobeat como referência para diversas novas bandas no mundo.

A Piauí, no próprio dia 15 de outubro, publicou um breve e bom texto sobre Fela Kuti, sugerindo a sensação de que ele “segue vivo”. Biografia, musical na broadway, seus filhos, seus ideais políticos, o afrobeat e bandas atuais. Destaca ainda o documentário “Music is the weapon” e outros videos do músico. Vê a matéria completa aqui.

Abayomy

O Globo fez uma bela matéria sobre o legado de Fela Kuti, iniciando com o recente e premiado musical “Fela!”, produzido por Will Smith e Jay-Z. Depois ainda realça como a África está em alta (culturalmente falando) nos Estados Unidos e na Europa, e como o ritmo de Fela influencia a produção musical contemporânea, citando diversas bandas do chamado Afrobeat Revival, como Antibalas, Budos Band e a própria Abayomy Afrobeat Orquestra, do RJ, atração do nosso 1º FELA DAY RS. Confere a matéria na íntegra.

Na última década já surgiram diversas bandas no velho mundo e na terra do Tio Sam. Agora, no Brasil, o movimento está tomando corpo. Além da Abayomy, primeira do gênero no país, temos a Bexiga 70 de São Paulo, por exemplo, e músicos navegando pelo estilo, como o nosso parceiro Tonho Crocco e sua banda Partenon70 (o Fela Kuti e Africa70 dos pampas!).

Vem com a gente nessa Noite VooDoo com a ABAYOMY pro 1º FELA DAY RS, celebração histórica pra capital gaúcha!

 

Ótimas atrações nos próximos meses

A prova de que a black music está com tudo se demonstra na quantidade e variedade de shows e festivais à disposição do público. Além da vinda a Porto Alegre do mestre do funk brasileiro, Gerson King Combo, em apresentação história com a excelente banda Funkalister, no Opinião, em 14/07 (em breve mais informações), outras atrações movimentam o centro do país. E afirmamos: vale a viagem, bonecada!

De 10 a 12 de junho, em São Paulo, ocorre o BWM Jazz Festival, marcando o retorno do Brasil ao circuito de um dos estilos mais influentes da história da música. O mesmo evento firmou datas no Rio de Janeiro nos dias subsequentes, 13 e 14 de junho. Estão na programação atrações de peso como Sharon Jones & the Dap-Kings e Billy Harper Quintet, além de revelações do gênero. Na capital paulista, o evento ocorre no Auditório do Ibirapuera, e prevê ainda shows gratuitos no parque, no domingo, 12, incluindo repeteco da diva do soul. No Rio, o festival ocorre no Teatro Oi Casa Grande. Infelizmente, pra ambas cidades os ingressos se esgotaram rapidamente.

Julho reserva uma surpresa ainda maior. George Clinton, o grande líder das lendárias bandas de funk Parliament e Funkadelic, desembarca com seus P-Funk All-Stars pra show memorável no dia 22/07, em São Paulo, dentro do Festival Black na Cena. Serão 3 dias de evento, contando também com nomes de peso como Public Enemy e Racionais MC’s. O Black na Cena ocorre na Arena Anhembi, e a ideia é dar início a um festival regular. Os ingressos podem ser obtidos no site da Zetks. A curiosidade é que George Clinton comemora seus 70 anos no dia de sua apresentação.

Em Porto Alegre, outra atração é Tia Carroll, destaque feminino do R&B. A cantora se apresentará no átrio do Santander Cultural dia 12/06, exatamente a data da próxima edição do Ritual VooDoo, no Cabaret! Isto é, boneco, prestigia a mulher e depois te conduz pra Independência pra participar de mais um forte encontro de groove da domingueira tradicional. Informações na programação do Santander Cultural.

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VooDoo e PC Capoeira no RBS Esporte

Foi ao ar nesse sábado, 29, no RBS Esporte, matéria com PC Capoeira e a equipe VooDoo.

Foi abordada uma relação entre a capoeira e a dança, com a seguinte chamada: “Uma capoeira com uma ginga cheia de estilo”, tendo como destaque o convidado do terceiro ritual VooDoo.

PC Capoeira é mestre de capoeira e dá aula de dança há 30 anos. A convite da equipe da RBS, capitaneados pela repórter Karine Alves, fomos junto com o PC até o grupo de capoeira Muzenza, no bairro Partenon. Entrevistas, performances e muita cordialidade marcaram essa passagem. Após, rumamos a uma escola de dança no Menino Deus, onde até nossa equipe participou da matéria, dançando, dando entrevista (vê se pode…).

Pra finalizar, levamos nosso ilustre convidado a uma churrascaria pra recarregar as energias. Foi o único instante em que conseguimos fazer o PC – que muito apreciou a culinária gaúcha – parar de dançar… Momentos únicos pra coroar a primeira passagem do mestre por Porto Alegre (primeira de muitas, diz-se por aí…).

A matéria tu vês no link abaixo, direcionando ao próprio site do ClicRBS. É a segunda, aos 4′ (o link é do programa, na íntegra).

http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?channel=44&contentID=117637&uf=1

E já vai preparando o esqueleto, pois dia 13/06 tem a VooDoo #04 – Especial Copa do Mundo na África! Fica ligado nas informações, em breve aqui no site, pelo twitter e pelos portais de relacionamento!

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Stay funky!

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Kool and the Gang em Havana

No último dia 20, domingo, a banda Kool and the Gang, pioneira e uma das mais populares no R&B, soul, funk e disco, se apresentou em Havana, capital cubana.

Foto: AP

(Foto: AP)

“Estamos aqui pela música. Viajamos por todo o mundo e a nossa mensagem é o amor, entendimento e união”, disse o baixista e cantor Robert ‘Kool’ Bell, líder do grupo. “Nós não viemos como políticos, estamos aqui como músicos”, completa. Eles são os primeiros artistas americanos a tocar em Cuba desde 2005, quando a banda Audioslave se apresentou no país.

Fonte: G1

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