Blaxploitation: submundo, exploração e música negra no cinema dos anos 70

No começo dos anos 70, o cinema americano vê surgir um novo gênero de filmes que vai marcar toda a década. Voltado para as audiências negras, o Blaxploitation – mistura com sotaque das palavras “black” e “exploitation” – explorava problemas dos guetos negros norte-americanos, e normalmente apresentava nas telas histórias com uma atmosfera de criminalidade ou opressão: seus personagens, em grande maioria encenados por atores negros, eram prioritariamente bandidos, criminosos, traficantes e trabalhadores baixos e segregados. Aos brancos restavam os papéis de policiais corruptos, prostitutas, políticos sem escrúpulos e criminosos inocentes, fáceis de enganar. O gênero sobreviveu até finais dos anos 70, quando associações de luta por direitos e contra a discriminação da população negra, como a National Association for the Advancement of Colored People e a Southern Christian Leadership Conference (de Martin Luther King), assim como a National Urban League, formaram uma coalizão contra o gênero: segundo as associações, contribuía na produção da estereotipia acerca dos negros. Nos anos 90, diretores como Spike Lee atualizaram o gênero levando em consideração esta questão da estereotipia, e falaram de forma mais contundente dos conflitos vividos pelos negros norte-americanos em contexto urbano; Quentin Tarantino prestou sua homenagem com “Jackie Brown”.

Debates políticos deixados de lado, pelo menos por enquanto, interessa dizer que o Blaxploitation deixou um legado que vai além das telas do cinema, e ele está nas trilhas sonoras. Marcadas pelo soul, pelo funk e pelo jazz, mas atingindo complexidades até então não produzidas para as músicas de rádio ou de pista, estas trilhas sonoras são documentos importantes e chegam a constituir um dos gêneros mais sofisticados de música negra dos anos 70. Muitas tinham não só os instrumentos clássicos dos combos soul, funk ou jazz: chegavam a ser orquestradas com novos naipes de sopros, algumas contavam inclusive com pequenas orquestras de cordas. Diversos artistas de renome imprimiram suas assinaturas nestas trilhas, entre eles James Brown, Curtis Mayfield, Bobby Womack e Isaac Hayes.

Dr. Caiaffo, residente da VooDoo e apaixonado por estas trilhas sonoras, indica especialmente três para os leitores do nosso blog: (1) considerada por muitos a melhor de todas, a trilha sonora que Curtis Mayfield fez para o filme “Superfly” é uma verdadeira obra de arte do swing; (2) composta pelo grande pai da soul music, James Brown, a trilha sonora de “Black Caesar” é outro excelente documento do gênero; (3) mais obscura mas excelente, também procure a trilha sonora que Willie Hutch compôs para o filme “Foxy Brown”.

Encontre mais informações sobre o gênero Blaxploitation e suas trilhas sonoras no excelente site www.blaxploitation.com. Além disso, venha dançar ao som destes grooves sofisticados na pista da VooDoo.

Bom proveito!

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1 Comentário

  1. muito fixe obrigado


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